Dor de cabeça e disfunção na articulação temporomandibular

A dor de cabeça é o sintoma mais comum sentido pelo ser humano, em que pelo menos 90% das pessoas do mundo já sofreram um episódio de dor de cabeça na vida. Para este sintoma, muitos quadros patológicos podem ser a causa de sua origem.

As origens das dores são múltiplas, podendo até mesmo se manifestar de forma multifatorial (originada por dois ou mais fatores).

Isso torna-se atormentador para aquele que sofre do episódio doloroso, levando muitas vezes a pessoa buscar tratamento para as causas mais comuns para dor de cabeça, como hipertensão ou enxaqueca, o que muitas vezes pode não ser a origem isolada.

Não é incomum pessoas lutando por um longo período de suas vidas para minimizar um quadro de dor de cabeça e quando tratam desvios ortodônticos, milagrosamente a dor é eliminada.

Porém, não se trata de um milagre, há uma explicação fisiológica para tal evento, que pode estar relacionada a articulação temporomandibular (ATM).

Muitas das dores de cabeça podem ter origens de disfunções na ATM. Esta articulação é composta pela mandíbula e pelo osso temporal (Figura 1), possui um disco articular fibrocartilaginoso e é responsável pelos movimentos de abrir e fechar a boca, projeção da mandíbula para frente (protrusão), retração e desvios laterais.

Os movimentos mandibulares são criados por combinações de rotação e deslizamento nas ATMs bilaterais, sendo controlados pela interação de músculos, cujos principais são: o temporal, o masseter, o pterigóideo medial e lateral (Figura 2) 3. Vale ressaltar que a ATM em ambos os lados, diferentemente das outras articulações do corpo, trabalham de forma simultânea. Assim, um problema de um lado vai gerar compensações no outro lado.


Figura 1: A articulação temporomandibular é formada pela união entre os ossos da mandibula e osso temporal.

Figura 2: Os músculos mastigatórios com importantes funções sobre a ATM.

Disfunções nesta articulação podem manifestar dores de cabeça por inúmeras razões: falta de congruência normal da articulação, tensionamento ou contratura dos músculos mastigatórios, sensibilização dos nervos que levam informação a face, estímulos excessivos nos receptores de dor por alteração do funcionamento normal desta articulação, etc.

As disfunções na ATM podem ser a causa primária da dor de cabeça ou podem ser a causa secundária, em que exacerba uma dor cujo quadro patológico de base é outra origem1.


Algumas tarefas desempenhadas em algumas funções podem manifestar disfunções na ATM, se condições ergonômica adequadas não forem assumidas para o desempenho da tarefa. Por exemplo, a projeção da cabeça para frente a fim de melhor visualizar o objeto manipulado, causa uma protusão na mandibula (Figura 3). Com isso, os músculos ao redor da ATM ficam tensionados e podem manifestar futuramente dores de cabeça4.

Figura 3: Atividades que exigem tarefa visual podem provocar projeção da mandíbula (representada pela seta branca). A atividade executada continuamente pode ser a causa de dor de cabeça.

Quando o quadro de dor de cabeça for persistente, com mais de 15 dias no mês, no período de três meses, o trabalhador deve observar a presença dos seguintes quadros que são sugestivos de disfunção na ATM5:

  • Som de estalido ou ruídos em ambas ou em uma das mandíbulas, perto da região da orelha, quando a boca é aberta.
  • Contratura muscular sentida ou dor dentro da orelha, ao redor dela ou das bochechas.
  • Dor e desconforto ao abrir a boca, com redução da amplitude de abertura de boca.

    Na presença destes quadros é importante que a pessoa busque por profissionais especializados em articulação temporomandibular (dentista buco maxilo facial, fisioterapeuta em DTM) para que possa receber o diagnóstico preciso da causa de sua disfunção e quais as recomendações devem ser seguidas para reabilitar o funcionamento normal da ATM, o que consequentemente ajudará a minimizar ou eliminar o quadro de dor de cabeça.

    Além disso, o trabalhador deve observar o gestual realizado no decorrer da tarefa, observando se há uma tendência de projetar a cabeça para frente e assim tentar minimizar a repetibilidade deste gestual.