Envelhecimento normal e envelhecimento patológico

Crédito: Science Photo Library
Direitos autorais: CONEYL JAY/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Envelhecer é uma das poucas certezas que nós, seres humanos, temos na vida. Para aqueles que temem envelhecer há um bom e velho ditado: “só não envelhece quem morre jovem”. Logo, o envelhecimento está atrelado a longevidade. Neste contexto, cabe ressaltar que envelhecimento não é sinônimo de doença, pois trata-se de um processo natural do nosso corpo. Porém, iremos ressaltar as diferenças entre o envelhecimento fisiológico e o patológico.


Para que que você possa entender, em se tratando de hormônios, à partir dos 35 anos para mulher e 40 anos para o homem, há um declínio na produção de estrogênio (início da menopausa) e andrógeno (início da andropausa), respectivamente. A queda na produção destes hormônios causam comprometimento da função de muitas funções, que variam de produção de força até deficits neurológicos (VAN DEN BELD, 2018). Isto é um processo normal.


            A redução na produção de hormônio provoca alterações drásticas na densidade óssea, tanto em homens, quanto em mulheres, deixando o osso mais fragilizado e menos denso. Com isso, ocorre uma redução fisiológica da densidade óssea, denominada osteopenia. Dependendo da severidade, esta perda óssea pode se agravar e se tornar um quadro patológico chamado osteoporose (ROSSI e SANDER, 2008). Esta fragilidade óssea torna-se preocupante durante o envelhecimento, pois nesta fase há deslocamento do centro massa e instabilidade articular, o que afeta o equilíbrio, aumentando a probabilidade de quedas em pessoas senis (BERG, 1992). Desta forma, uma queda leve pode ser suficiente para causar uma fratura em um osso fragilizado.


Os músculos também sofrem com os efeitos da redução de produção de hormônios, com significativa perda da massa muscular. Isto leva a uma redução da unidade muscular capaz de produzir força, chamada sarcômero. Este evento também é um processo fisiológico, chamado sarcopenia, desencadeando uma redução na produção de força e aumenta do tecido adiposo, sobretudo no interior do músculo. Este evento é um dos envolvidos na dificuldade dos idosos em levantar pesos, caminhar ou até mesmo realizar tantas outras atividades comuns na vida diária (PEREIRA, 2013).


Por último, a cartilagem articular também sofre efeitos com o envelhecimento. Para entender a importância desta estrutura, ela impede que um osso encoste no outro, servindo de amortecedor no espaço articular (Figura 1). Por isso, não sentimos dor ao realizarmos movimento, pois esta estrutura não é inervada e sem conexões nervosas, esta estrutura não decodifica informações de dor. Quando realizamos um movimento, a cartilagem recebe uma carga, que degrada sua estrutura, que leva um tempo para ser reparada. Durante o envelhecimento, há um desequilíbrio em que a cartilagem tende a se degradar, mais do que se reparar, isso leva a uma redução da espessura da cartilagem. Quando, a cartilagem tem sua espessura reduzida ou é apresenta irregularidades de forma a expor o osso e causar alterações na articulação, há um processo patológico denominado osteoartrose (ROSSI e SANDER, 2008).



Figura 1: Representação do joelho com a cartilagem íntegra (à esquerda) e com a cartilagem danificada como ocorre na osteoartrose (à direita).

Cabe ressaltar, que os processos descritos anteriormente não são exclusivos da senilidade, eles podem ocorrer em qualquer etapa da vida. Porém, são mais comuns na fase senil devido a toda alteração fisiológica ocorrida. Mas, vamos falar sobre um assunto muito importante: como podemos ter envelhecimento com alterações fisiológicas e não evoluir para processos patológicos?


Evidentemente algo pode ser feito para tentar se manter-se o mais saudável possível, isto inclui prática de exercícios físicos, uma alimentação saudável, boas noites de sono, mantendo uma rotina com menor estresse possível. Quanto mais cedo o indivíduo assumir estes princípios na vida, mais são maiores as chances de envelhecimeto saudável. Cuide-se!


Referências bibliográficas

BERG, Robert L. et al. Falls in older persons: risk factors and prevention. In: The second fifty years: Promoting health and preventing disability. National Academies Press (US), 1992.

PEREIRA, Ana Fátima et al. Muscle tissue changes with aging. Acta medica portuguesa, v. 26, n. 1, p. 51-55, 2013.

ROSSI, Edison; SADER, Cristina S. Envelhecimento do sistema osteoarticular. Einstein, v. 6, n. 1, p. S7-12, 2008.

VAN DEN BELD, Annewieke W. et al. The physiology of endocrine systems with ageing. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 6, n. 8, p. 647-658, 2018.


Elaborado por Viviane Bastos de Oliveira

Doutora em Engenharia Biomédica

Fisioterapeuta do Trabalho