Massagem: Um alívio para as dores provocadas pelo trabalho

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Com a rotina de vida cada vez mais corrida, é comum sentirmos uma dor muscular, com uma sensação de rigidez local, pontos dolorosos, etc. Quando esta condição é causada por um trabalho repetitivo ou extenuante, é explicado, fisiologicamente, que o músculo sofre com o acumulo de metabólitos deste trabalho, o que acaba gerando uma série de eventos, tais como aumento da fadiga (que é a redução da capacidade de produzir trabalho) e da sensibilidade para dor (GUYTON, 2006). Porém, atividades monótonas ou que requeiram grande atividade intelectual podem levar a tensões musculares também, isso porque o estresse desencadeia uma resposta fisiológica promovida pelas alterações emocionais, que levam as manifestações físico-emocionais e consequentemente, as dores musculares (SCARPATO, 2002).


           A massagem é uma terapia que apresenta bons resultados sobre as tensões musculares causadas pelo trabalho; trata-se de uma técnica milenar, utilizada a pelo menos 3000 anos, de acordo com o relato de antigas escrituras chinesas, persas, egípcias e gregas. A técnica consiste em aplicar manualmente diversas manobras aos tecidos corporais, com objetivo de promover alterações fisiológicas benéficas. Essa técnica possibilita um bom efeito nas funções psicológicas do indivíduo, aliviando os quadros álgicos, tensões musculares, melhorando a flexibilidade e, consequentemente, promovendo o relaxamento corporal e sensação de bem-estar (CLAY e POUNDS, 2002).


Um dos benefícios da massagem é promover o aumento da circulação local, tanto sanguínea, quanto linfática. O aumento de circulação local possibilita uma limpeza de toxinas acumuladas na musculatura, tais como, ácido láctico (resíduo de trabalhos anaeróbicos). Com isso, estes metabólitos produzidos com o trabalho excessivo podem ser excretados por meio da urina, por exemplo. A massagem também libera hormônios, principalmente a ocitocina, que pode gerar bem-estar, relaxamento, melhora no sistema digestório, além de auxiliar em algumas funções do sistema nervoso. Um dos papéis importantes da ocitocina é promover a diminuição do ritmo cardíaco e armazenamento de glicogênio (energia) (ABREU et al., 2012).


Além disso, com o estímulo do toque na pele decorrente da massagem, há um efeito de analgesia, pois a transmissão da informação tátil é mais rápida que a informação dolorosa. Assim, a informação tátil “camufla” a informação da dor, explicada pela teoria do controle das comportas (MELZACK e WALL, 1965). Além disso, a massagem poderia ser uma aliada ao aumento da imunidade, uma vez que ela provavelmente atue sobre o sistema linfático, o que pode aumentar as defesas do corpo (ABREU et al., 2012).


A melhor informação de tudo isso é que a massagem pode ser realizada pela própria pessoa e ainda alguns recursos podem ser utilizados para auxiliar no maior estímulo tátil promovido pela massagem, tais como massageadores (Figura 1). Há uma gama de recursos disponíveis para realização de massagem, experimente adquirir qualquer um deles, deixe-o no posto de trabalho e qualquer momento em que puder realizar uma pausa, experimente realizar a automassagem. Faça isso e repare se haverá melhora na dor sentida após o trabalho.



Figura 1: Recursos para auxiliar a massagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABREU, Miguel Fernandes de; SOUZA, Telma Ferreira de; FAGUNDES, Diego Santos. Os efeitos da massoterapia sobre o estresse físico e psicológico. Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, v. 3, n. 1, p. 101-105, 2012.

CLAY, James H.; POUNDS, David M. Massoterapia clínica: Integrando anatomia e tratamento. In: Massoterapia clínica: integrando anatomia e tratamento. 2003. p. 412-412.

GUYTON, Arthur Clifton. Tratado de fisiologia médica. Elsevier Brasil, 2006.

CANDEIRA, Michele Campos. Os efeitos psicossomáticos do estresse. 2002.

MELZACK, R; WALL, PD. Pain mechanisms: a new theory. Science, v. 150, n. 3699, p. 971-979, 1965.


Elaborado por Viviane Bastos de Oliveira

Doutora em Engenharia Biomédica

Fisioterapeuta do Trabalho