Dicas para melhorar o serviço fazendo simples exercícios

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Ainda na infância, muitas crianças desafiam umas as outras a tocar as mãos no chão sem dobrar os joelhos, como se fosse uma brincadeira. Com o passar do tempo, quando nos tornamos adultos, vamos perdendo esta capacidade, e isso pode evidenciar uma redução na flexibilidade. E é importante falar sobre isso? Sim! Afinal, isso pode interferir e melhorar o serviço prestado.


Primeiramente, tentar tocar as mãos no chão sem dobrar os joelhos mostra nossa capacidade de flexibilidade. Incluindo as estruturas da cadeia posterior do corpo relacionadas à perna e à coxa, ao quadril, à coluna lombar, torácica e cervical. Dessa forma, além da flexibilidade dos músculos da ombro.


Encurtamento dos músculo:

O encurtamento dos músculos posteriores da perna e da coxa pode afetar a extensão adequada da articulação do joelho. Pois como estes músculos estão encurtados, o joelho não atinge a completa extensão. Com isso, há um mal posicionamento da patela, podendo culminar em uma dor anterior do joelho.


Além disso, o encurtamento dos músculos posteriores da coxa e do quadril (principalmente os glúteos) restringe a amplitude de movimento da pelve e flexão de tronco. Dessa forma, desencadeando baixa mobilidade dos movimentos do quadril. Que pode levar compensações no joelho, quadril e na coluna lombar, podendo até mesmo ser responsável por queixas de lombalgia.


Contudo a projeção do tronco para frente, requer também que os movimentos da coluna lombar e do quadril sejam sincronizados. Quando tentamos colocar a mão no chão, os movimentos são iniciados na lombar e após 60º de amplitude de flexão do tronco, o quadril inicia o movimento, para que consigamos projetar mais ainda o corpo para frente.


Essa combinação é chamada de ritmo lombo-pélvico. Caso a mobilidade esteja comprometida na lombar ou no quadril, haverá compensações e a pessoa não consegue fletir o tronco com grande amplitude.


Melhorar o serviço com uma boa mobilidade

Parece pouco? Ao tentar projetar o tronco para frente, há necessidade da boa mobilidade das estruturas da coluna lombar, torácica e cervical. Caso algum destes segmentos apresente encurtamento de músculos, má articulação entre vértebras, herniações, etc, a mobilidade da coluna pode ser afetada.


Uma questão interessante, é que os músculos respiratórios estão relacionados a mobilidade das estruturas da coluna lombar alta e torácica baixa. Assim um encurtamento, no diafragma, por exemplo, pode causar uma dor lombar e afeta a expansão do tórax, o que levaria a desconfortos respiratórios como também a redução da flexibilidade da cadeia posterior.


Ainda que a situação pareça incompreensível, experimente fazer um teste de tentar encostar a mão no chão quando estiver com dores no pescoço e nos ombros.


Certamente, as dores na região da cervical e dos ombros podem estar associadas a um desequilíbrio postural resultante do encurtamento ou da ativação aumentada dos músculos em torno das articulações.


Enfim, até mesmo aquele ponto doloroso apalpado no ombro, pode ser a causa da baixa flexibilidade da cadeia posterior.


Como eu posso melhorar minha flexibilidade

Primeiramente, é importante ressaltar que o ato de não conseguir encostar as mãos não chão não caracteriza que a pessoa apresenta alguma alteração importante nas estruturas do corpo.


Contudo cada individuo tem sua peculiaridade, em que uns terão boa flexibilidade (exemplo bailarinas, ginastas e artistas circenses) e outros não. Há pessoas que com alongamento conseguirão fazê-lo, mas outros não conseguirão, mas terão a flexibilidade aumentada.


O desafio de tentar levar as mãos ao chão sem dobrar os joelhos pode fornecer uma estimativa de aumento da flexibilidade, pois a pessoa pode verificar visualmente, o quanto a mão está distantes do solo e o quanto vai se aproximando com alongamentos.


Segundo, o ato de tentar encostar as mãos no chão sem dobrar os joelhos já se configura como uma tentativa de alongar toda a cadeia posterior do corpo.


Por isso, é importante que a pessoa tente criar um hábito diário de tentar encostar as mãos ao chão (ressaltando: TENTAR), sobretudo no ambiente de trabalho. Isso porque um dos principais fatores que provocam a redução da flexibilidade da cadeia posterior é a manutenção da postura sentada por tempo prolongado.


Vejam 5 dicas para melhorar o serviço:

Durante uma pausa de trabalho experimente fazer a seguintes recomendações:


  1. Encoste o bumbum na parede e tente encostar as mãos no chão, deixando o joelho o mais esticado possível. Os pés precisam estar afastados da parede para não desequilibrar. Perceba então até onde suas mãos alcançam.
  2. Faça uma postura de agachamento, como se tivesse sentado numa cadeira (pode encostar na parede) e sustente por 10 segundos na postura. Não projete o joelho para frente e jogue o bumbum para trás.
  3. Cruze os dedos levando os braços a frente (não para baixo), trazendo ao máximo os ombros a frente. Sustente por 10 segundos na postura.
  4. Abra a boca o máximo que conseguir e sustente na posição por 10 segundos.
  5. Repita a primeira recomendação e observe até onde sua mão alcança agora.

Esse ciclo pode ser repito 3 vezes para melhores resultados.


Por fim, o hábito de se alongar, pode minimizar os danos causados pela postura sentada por tempo prolongado, como pode melhorar o serviço e desempenho de levantamento de cargas, que requer também uma boa flexibilidade da cadeia posterior.


E aí, já tentou levar as mãos no chão hoje?


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Elaborado por Viviane Bastos de Oliveira
Doutora em Engenharia Biomédica
Fisioterapeuta do Trabalho