Relação entre a respiração e a dor lombar

dor lombar
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No Brasil, o absenteísmo (ausência do funcionário no trabalho) gera um impacto econômico significativo, uma vez que a perda do PIB gira em torno de bilhões de dolares (COUNCIL, 2017).


A dor musculoesquelética é uma das principais causas de afastamento da população trabalhadora e uma das principais queixas de dor se manifesta na forma de lombalgia (dor lombar). No mundo, cerca de 60 a 80% das pessoas, já se queixaram de dor na região lombar em algum momento da vida (HELFENSTEIN et al., 2010). 


Uma das razões postuladas como causa da lombalgia é a instabilidade da coluna lombar. Por isso, a estabilização da coluna lombar é muito importante para minimizar as queixas de lombalgia.


É muito comum pensar que alongamentos ou outros recursos cinesioterápicos mais voltados para a região da coluna lombar propriamente dita sejam as melhores estratégias para minimizar a dor nesta região.


Contudo, estudos recentes mostram que o sucesso para minimizar as queixas de dor lombar pode se apoiar na aplicação de exercícios de um grupo muscular conhecido como “músculos do core” (MCGILL,  2015). 


No agrupamento do “core” estão relacionados principalmente os músculos diafragma, multífido, transverso abdominal e assoalho pélvico. No caso do músculo diafragma, que se trata do músculo respiratório, a íntima relação com a coluna lombar se deve porque parte de suas fibras se insere nas décima segunda vértebra torácica e nas três primeiras vértebras lombares (L1, L2 e L3); estes fascículos de fibras são chamadas de crura diafragmática (Figura 1) (LIPPERT, 2011).


O diafragma junto a outros importantes músculos profundos fornece a estabilidade necessária para a coluna lombar, em que as estratégias terapêuticas voltadas para estas estruturas podem servir de importantes condutas de tratamento não-farmacológico.


A comprovação da atuação das fibras diafragmáticas sobre os movimentos na lombar foi mostrada em estudo com eletroestimulação da crura diafragmática, em que uma tendência da coluna lombar a se movimentar durante as incursões respiratórias foi mostrada (HODGES e GANDEVIA, 2000). 


Figura 1: a) Fibras diafragmáticas inseridas nas três primeiras vértebras lombares (L1, L2 e L3); b) O diafragma auxilia junto aos demais músculos do core na estabilidade da coluna lombar (Imagem b adaptada de FRANK et al., 2013).


Pessoas que passam grande parte da sua jornada de trabalho na postura sentada, tendem a assumir a postura relaxada e com consequência podem ter redução da tonicidade do músculo diafragma, diminuindo assim a capacidade respiratória (ALBARRATI et al., 2018).


Além disso, o trabalhador pode queixar-se duplamente de sensação de cansaço, com dificuldade para respirar e de dor na região lombar, sem sequer cogitar na hipótese que os dois eventos estariam associados (FRANK et al., 2013). 


Para verificar se o diafragma apresenta boa flexibilidade, a pessoa pode na posição sentada, elevar seus braços, respirar o mais profundo que conseguir, puxando o ar pelo nariz (gradualmente, pois puxar o ar rapidamente pode gerar tontura) e após, expirar o mais profundamente, soltando o ar pela boca gradualmente.


Se houver a sensação que não consegue soltar todo ar por completo, isso pode estar acontecendo por encurtamento muscular, incluindo o músculo diafragma.


Para melhorar a função do diafragma, alguns exercícios podem ser elaborados a fim de trabalhar a coordenação, tonicidade e elasticidade deste músculo. Alguns deles são:


1º exercício: sente-se numa cadeira com encosto, apoiando toda a parte posterior no encosto da cadeira; apoie uma mão no tórax e a outra no abdomen. Inspire puxando o ar pelo nariz, tentando direcionar o ar para parte posterior (contra o encosto da cadeira). Faça isso se conscientizando do movimento. 


2º exercício: ainda sentado, corrija a postura, inicie a inspiração e quando for expirar, deixe as costelas descerem, porém não permita que a postura correta seja perdida. Faça isso de olhos fechados para se trabalhar a consciência corporal, pois exatamente no momento da expiração é que as pessoas tendem a relaxar a postura. Sinta por completo todas as costelas descerem.


3º exercício:  mantendo-se na postura sentada de forma correta, inspire e quando for expirar, eleve os braços e deixe as costelas descerem por completo. 


Para estes exercícios é recomendado três séries, com 6 repetições dos exercícios, pelo menos três vezes na semana. 


Vamos cuidar do nosso músculos respiratório, pois exercícios voltados para ele traz benefícios de melhorar a resistência contra fadiga, melhorar a função respiratória, minimizar a probabilidade de dores nas costas e promover bem-estar.