A importância das micropausas

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Diferentes posturas podem ser adotadas para o desempenho das tarefas de trabalho, tais como: a postura sentada, em pé, semi sentada e a postura deitada. Embora a postura sentada é preferível para o desempenho de qualquer tarefa, pois é a que oferece menor gasto energético, ela é a postura mais danosas. O trabalho estático para manter a postura sentada causa compressão das estruturas da coluna lombar (músculos, ligamentos, discos intervertebrais, etc), compressão dos vasos posteriores da coxa, redução do recrutamento dos músculos do tronco e da musculatura glútea (por relaxamento) e progressão de fadiga muscular (ANDERSSON et al., 1996; O’SULLIVAN et al., 2006).


Contudo, não pense que a postura sentada é uma vilã e demais são as “mocinhas”, pois não é. A postura em pé também causa danos ao trabalhador que precisa sustentar esta postura, tais como compressão dos vasos das pernas, sobretudo na parte mais distal (os pés), favorecendo o surgimento de varizes e edemas em pernas, fraquezas da musculatura de membros inferiores, aumento da pressão nos discos, favorecendo o processo de herniação e contraturas musculares. As demais posturas também apresentam suas consequências danosas (CHAFFIN et al., 2006).


Mas não pense que a contração dinâmica (atividades em que o trabalhador executa movimentos) é livre de danos, quando comparada com atividades estáticas (que exigem manutenção de postura), pois em ambas condições, o processo de fadiga sempre ocorrerá. A fadiga é uma condição em que o músculo tem uma redução na capacidade de execução de força, devido a uma atividade extenuante ou com uma grande sobrecarga. Esta condição não é permanente, pois quando o músculo é colocado novamente em condições de repouso, ele recupera suas reservas energéticas, voltando as condições iniciais e podendo executar a mesma força inicial (CHAFFIN et al., 2006). Para recuperar este potencial de força, o músculo precisa apenas ser colocado em condições de repouso, chamadas de pausas. As pausas são intervalos de repouso muscular, sem executar atividades; quando este intervalo é curto, é então chamado micropausas.


As micropausas apresentam inúmeros benefícios, tais como: regulariza a frequência cardíaca e respiratória; reduz as tensões musculares; quebra o ciclo de progressão da fadiga e manutenção da capacidade para o desempenho da tarefa. Para realizar as micropausas não é necessário dedicar mais que 27 segundos de repouso, sem nenhum tipo de atividade com aquele músculo que iniciou o processo de fadiga (HENNFNG et al., 1989).


As pausas são intervalos previstos pela Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17), que é principal instrumento que rege a ergonomia no Brasil. Contudo, o temor de se afastar por um período longo das atividades realizadas no ambiente de trabalho inviabilizam a prática de adoção das pausas. Contudo, como as micropausas apresentam um intervalo muito curto, pouco passível de perda do raciocínio da tarefa, mas o suficiente para permitir uma pequena recuperação do músculo, esta prática deve ser estimulada.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSSON, E. A. et al. EMG activities of the quadratus lumborum and erector spinae muscles during flexion-relaxation and other motor tasks. Clinical biomechanics, v. 11, n. 7, p. 392-400, 1996.

O’SULLIVAN, Peter et al. Evaluation of the flexion relaxation phenomenon of the trunk muscles in sitting. Spine, v. 31, n. 17, p. 2009-2016, 2006.

CHAFFIN, Don B.; ANDERSSON, Gunnar BJ; MARTIN, Bernard J. Occupational biomechanics. John wiley & sons, 2006.

HENNFNG, Robert A. et al. Microbreak length, performance, and stress in a data entry task. Ergonomics, v. 32, n. 7, p. 855-864, 1989.


Texto narrativo elaborado por Viviane Bastos de Oliveira

Doutora em Engenharia Biomédica

Fisioterapeuta do Trabalho