Mulher empoderada

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Apesar de exigir mais do que um emprego remunerado, só que de graça, a escolha por ficar em casa cuidando dos filhos ainda é alvo de muitos preconceitos e clichês, que podem impactar negativamente a saúde mental da mãe. 


Cercada de estigmas, mãe que fica em casa sofre sozinha e pode até adoecer. Mesmo que por opção, a mulher que se ocupa exclusivamente dos cuidados com a casa e os filhos enfrenta desafios e preconceito.


Quem precisa conciliar as missões de ser mãe, profissional, esposa, amiga, filha e tantos outros papéis ao mesmo tempo sabe que essa não é das tarefas mais fáceis.  


Conciliar filhos e carreira é sempre um desafio. Mas para as mulheres esse fator ganha uma dimensão muito maior. A maternidade se torna mais um desafio na trajetória profissional feminina, sendo um tabu na vida profissional. Muito por conta de vieses inconscientes reproduzidos, frequentemente, de forma não intencional.


“Você pode trabalhar fora, mas não esqueça dos seus filhos” diz o marido.

A esposa, surpresa, responde: – Seus? Não seriam ‘os nossos’?  


Como dar conta de tudo? Percebo que, além dos demais fatores envolvidos em um processo de adoecimento no trabalho, como a organização do trabalho, a competitividade, a pressão e o estresse mental ou físico, questões relacionadas à identidade e ao seu papel na sociedade impactam especialmente as mulheres. 


Se guardamos um espaço dedicado à análise da relação entre saúde mental e trabalho, devemos cultivar uma discussão sobre a saúde da mulher no trabalho e estudar suas particularidades, enfrentando preconceitos e revisando papéis há muito estabelecidos, porém esquecidos e naturalizados. Afinal, todos nós temos novos papéis em uma sociedade que muda cada vez mais rápido a cada dia. 


A falta de empatia e de um olhar mais atento às mulheres que têm filhos pode vir, muitas vezes, da diferença de realidade entre chefes e funcionários ou entre homens e mulheres. Muitos homens que ocupam cargos superiores têm em casa esposas que optaram apenas pela maternidade. Esse padrão reforça a forma que esses homens veem a mulher mãe. Isso pode contribuir para que, de certa forma, eles esperem que outras mulheres também ajam assim, e priorizem a família em detrimento ao trabalho.


Elaborado por Gabriela Gonçalves

Psicóloga

CRP 59516