Síndrome de Burnout e Coronafobia

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No atual momento que a humanidade tem enfrentado, é importante falar sobre saúde mental. Neste contexto, vamos falar de Síndrome de Burnout, ou como também é conhecido por síndrome do esgotamento profissional, em que o indivíduo sofre efeitos negativos em resposta ao estresse laboral e é caracterizada por sensação de fracasso profissional, exaustão física e emocional e despesonalização. Ela pode ser desencadeada por diversos motivos: carga de trabalho excessiva, pressão em busca de alcançar resultados e atingir metas, baixa realização profissional, desconforto com o ambiente e as atividades de trabalho em geral (MOREIRA et al., 2009; TRINDADE e LAUTERT, 2010).


Isso pode ocorrer quando uma pessoa é submetida a um agente estressor, o que pode levar a alterações psicofisiológicas no organismo, em que há uma tentativa de adaptar-se ao meio, atuando sobretudo no sistema nervoso autônomo, que é responsável por controle das funções como respiração, circulação sanguínea e controle de temperatura. Isto pode propiciar a manifestação de medo, sensação de risco, confusão e até extrema euforia, desencadeando sinais e sintomas como taquicardia, sudorese, dor no estômago, contraturas musculares e dor de cabeça (LIPP e MALAGRIS, 2001).


O estado de estresse prolongado e excessivo pode desencadear irritabilidade, apatia, depressão, desânimo, hipersensibilidade emotiva, ansiedade e surtos psicóticos, podendo transformar-se em doenças psicossomáticas permanentes (LIPP e NOVAES, 2001). É comum que o estresse do trabalho cause desmotivação do funcionário, levando ao afastamento do trabalho, atrasos, queda da produtividade e desempenho e problemas interpessoais.


Para piorar, o atual momento que estamos vivendo, além da necessidade de dedicação e produção no trabalho, as questões psicológicas dos trabalhadores foram afetadas com situação repentina da pandemia causada pelo novo coronavírus, SARs-CoV-2, o causador da COVID-19. A fim de minimizar a contaminação, o mundo foi levado a decretar um isolamento social. Contudo, esse confinamento poderá aumentar a prevalência de transtornos mentais, agravando os agentes estressores. É provável que dentro de alguns anos possamos evidenciar o aumento da prevalência de distúrbios mentais, provocados por eventos originados pela pandemia tais como: preocupações com a escassez de suprimentos e perdas financeiras, distanciamento social e diminuição dos contatos sociais, medo de contrair a doença e mudanças repentinas nas rotinas (SCHMIDT et al., 2020).


Além disso, há um pânico na possibilidade de contrair a COVID-19, em que o conselho de psiquiatria reconhece como coronafobia (HARTMANN, 2020). É importante que as pessoas entendam que a COVID-19 realmente requer medidas de vigilância sanitária para minimizarmos a probabilidade de infecção, mas pânico não deve ser instalado. O coronafobia tem impactado na saúde mental, que associado às novas dinâmicas do mercado do trabalho exigidos pela pandemia, têm piorado o quadro psicológico de muitas pessoas.


A associação de fatores estressores no trabalho provenientes da pandemia e a coronafobia é uma verdadeira bomba relógio para os humanos, pois ambas demandas são recentes, o que tem dificultado a intervenção apropriada. Caso o trabalhador comece a perceber sinais e sintomas de que sua saúde mental não anda muito bem, é recomendado ao trabalhador incluir atividades lúdicas e recreativas em sua rotina fora do trabalho, que possam promover divertimento e relaxamento.


É muito importante que a pessoa consiga identificar qual agente estressor em seu trabalho pode estar causando a perturbação em sua saúde mental, e assim, eliminar aquele que for possível a própria intervenção. Há estressores no trabalho que são bem possíveis de se eliminar (exemplos: uma mesa bagunçada, materiais em excesso que podem ser descartados, uma rotina desorganizada, levantamento de objetos muito pesados que podem ser utilizados dispositivos de auxílio, etc). As demais situações que não são possíveis eliminar por conta própria, o trabalhador deve buscar alternativas para que possam torná-las menos estressantes. Os agentes estressores sempre existirão em qualquer área da vida, seja pessoal, amorosa, financeira ou profissional, o importante é encontrar a melhor forma de enfrentamento para todas as situações, sem que elas se tornem um peso insuportável. Pratique meditação, reflita sobre os problemas, tente buscar soluções viáveis e amistosas, lembre que ninguém está livre de estresse, mas não o abrace-o e não se apegue a ele, na mesma medida que ele veio, deixe-o ir. Cuide da sua saúde mental.


HARTMANN, P. 2020. “Coronofobia”: o impacto da pandemia de Covid-19 na saúde mental. Disponível em: https://pebmed.com.br/coronofobia-o-impacto-da-pandemia-de-covid-19-na-saude-mental/ Acessado em 17 de Dezembro de 2020.

LIPP, M. E. N.; MALAGRIS, L. E. N. O Stress Emocional e seu Tratamento. In B. Rangé (Org). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed, p 475-490, 2001.

SCHMIDT, B. et al. Saúde Mental e Intervenções Psicológicas Diante da Pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19). Estud. psicol. (Campinas), Campinas, v. 37, e200063, 2020.


Elaborado por Viviane Bastos de Oliveira

Doutora em Engenharia Biomédica

Fisioterapeuta do Trabalho